Poemas da missão de governar

02/04/2019

Dignidade e arresto

     Sua parte
Não basta ganhar a vida,
trabalhando honestamente:

saiba qual é a medida
de proceder dignamente,
filosófica e eticamente,
irmanado ou solidário.

    Parte dos outros
No interesse monetário,
olhe a extorsão do juro:

juro não tem gosto puro
"quando se faz de vampiro”;
faz, do capital de giro,
prédio, iate e somatório;

monta empresa e escritório
de oferta, venda e cobrança;
dá crédito e confiança
e empenha os seus bens na hora;
toma os seus bens de penhora.
Nunca mais, Você descansa...

Arresto é a medida preventiva que consiste na apreensão judicial dos bens do devedor, para garantir a futura cobrança da dívida; embargo.
O texto acima é um poema com 5 estrofes em redondilhas maiores (versos de 7 sílabas métricas) e rimas alternadas e intercaladas (ab-abbc-cd-deef-fgghhg).

31/03/2019

Atendimento no Same do hospital

          Same, não Some!

Não quero hospital onde a telefonia/
de marcar consulta demore a atender;/
a pessoa ligue até se ensurdecer/
com o toque, chamando, e não ouça um bom-dia;

perca a marcação e a mesma se adia/
por tempo distante e indeterminado./
Pareça que o Same é despreocupado/
e tanto lhe faz atender como não.

A alguém que registre uma reclamação,/
o órgão reaja com dolo e frieza:/
um agente responda com indelicadeza,/
dizendo que cumpre o horário e o papel;

mas deixe a parede, mostrando um painel/
com letras malfeitas e mal preenchido;/
trabalhando assim, ele vá promovido,/
receba o salário em dia e integral.

Quem sofre com o método desse hospital/
é aquele doente que não se consulte;/
"e ainda está bem quando não lhe resulte/
cobrança  tachado de impontual".

Notas:
1) Serviço de Arquivo Médico e Estatístico (SAME ou Same).
2) verbo usado no presente do subjuntivo sempre que foi possível, para não se referir a nenhuma repartição injustamente nem de forma leviana.
3) o poema acima contém 5 quartetos com versos hendecassílabos (11 sílabas métricas) e rimas intercaladas (abba-accd-deef-fggh-hiih); o mesmo segue abaixo, em outra forma, para atender a outro gosto do leitor.

Não quero hospital onde a telefonia/
de marcar consulta demore a atender;/
a pessoa ligue até se ensurdecer/
com o toque, chamando, e não ouça um bom-dia;/
perca a marcação e a mesma se adia/
por tempo distante e indeterminado.

Pareça que o Same é despreocupado/
e tanto lhe faz atender como não.

A alguém que registre uma reclamação,/
o órgão reaja com dolo e frieza:/
um agente responda com indelicadeza,/
dizendo que cumpre o horário e o papel;/
mas deixe a parede, mostrando um painel/
com letras malfeitas e mal preenchido;/
trabalhando assim, ele vá promovido,/
receba o salário em dia e integral.

Quem sofre com o método desse hospital/
é aquele doente que não se consulte;/
"e ainda está bem quando não lhe resulte/
cobrança  tachado de impontual".

Ser contra o desperdício

Vejo perder-se o que era
para trazer ou juntar
e, em caixa ou cofre, guardar —
do verão à primavera.

Mas meu pai já me dissera:
“Filho, siga esta baliza:
‘guarde o [de] que não precisa
para quando precisar’”.

Estendo ao campo e ao lar
essa máxima decorada,
a fim de não ficar nada
perdido e que se aproveita:

“recolhe o resto... e confeita
o recurso natural
e produto artificial ,
sobras de compra ou colheita”.

O texto acima é um poema com 4 quartetos de versos em redondilhas maiores (7 sílabas métricas) e rimas intercaladas (abba accd deef fggf).

Não desperdiçar: guardar > Clicar aqui.

Uso impróprio do celular

      Aparelho invasor

O celular é um aparelho invasor/
que “entra, rasgando” no meio da gente,/
quando um despachante ou um médico e atendente/
estão a serviço do interlocutor.

Incomoda até no "silenciador" 
enquanto a pessoa trabalha ou conversa. 
Desvia a atenção ou distrai e dispersa.../
transtorno e acidente, poderá causar...

Em algum ofício, é proibido usar,/
mas noutros, "aumenta a fofoca que espalha"./
Por isso, dá raiva, perturba e atrapalha/
o uso indevido de um celular.

O texto acima é um poemeto com 3 quartetos de versos hendecassílabos (11 sílabas métricas) e rimas alternadas (abba-accd-deed).

15/03/2019

Achado e perdido

Diz-me por que não devolves
o cartão que não é teu
à pessoa que o perdeu
no local por onde volves.

Tu sabes como resolves
este reto proceder
de encontrar e devolver
um bem que não te pertence.

Teu gesto não me convence
por ser malicioso e feio.
Quem é amigo do alheio
é também de quem assalta.

Mas não és um cão peralta,
não mordes "nem furtarás"*.
E o que não devolverás,
ao dono, faz muita falta.

* alusão ao 7º mandamento da Lei de Deus: Não roubar.
O texto acima é um poema com 4 quartetos em redondilhas maiores (versos de 7 sílabas métricas) e rimas intercaladas (abba-accd-deef-fggf).

14/03/2019

Missão poética alusiva ao Dia da Poesia

Motivação do Dia Nacional da Poesia, 14 de Março:
missões poéticas unificadas ou unificação das missões poéticas e "o meu lugar junto aos poetas"

     1 A caminho do Bem
Castro¹ é O Poeta da Escravidão,/
Casimiro² é O Poeta da Saudade;/
já fiz muito verso, falando em bondade./
Pergunto onde está O Poeta da Ilusão³,/

que o poeta vive em uma dimensão/
capaz de cobrir toda a face da Terra;/
"é um bom cordeiro, pulando, e não berra;/
é ovelha mansa que não dá marrada";/

se fosse por ele, a Vida era estrada/
por onde passavam todos os comboios;/
nasceriam trigos, morreriam joios,/
e a casa do Bem era mais visitada.

¹ Castro Alves, O Poeta dos Escravos e O Poeta Social;
o Dia Nacional da Poesia foi criado em homenagem à data do seu nascimento: 14-03-1847.
² Casimiro de Abreu.
³ Cognome imaginário.

     2 Em nome da Felicidade
É Florbela Espanca A Poetisa do Amor,/
Vinícius¹ é O Poeta da Paixão,/
eu já fiz poema de separação./
Pergunto quem é A Poetisa da Dor²./

Eu, como poeta, sou um libertador/
de quem vive preso a qualquer sofrimento;/
se fosse por mim, não havia "detento/
nas grades do amor, da paixão e da saudade";/

cortava a raiz de toda enfermidade/
e o Mundo seria hospício e paraíso/
onde o louco e a doida criavam juízo,/
e a razão de tudo era a Felicidade.

¹ Vinícius de Moraes.
² Cognome imaginário.

      3 Na busca da Certeza
O Poeta da Dúvida já é Azevedo¹,/
Manoel de Barros é O da Natureza,/
eu queria ser O Poeta da Certeza./
Procuro encontrar O Poeta Sem Medo²,/

que um poeta, às vezes, revela segredo/
na hora de expor o seu ponto de vista;/
ao ser vigiado, não foge da pista;/
não tem proteção e vive "a céu aberto";/

"o oásis anima a vida no deserto",/
enquanto ele tira a tristeza da gente/
que anda chorando isoladamente,/
querendo um lugar protegido e mais certo.

¹ Álvares de Azevedo.
² Cognome imaginário.

Ver também Dia da Poesia, 14 de Março, Clicando Aqui.

Os textos acima são poemetos, cada um com 3 quartetos em versos hendecacassílabos (11 sílabas métricas) e rimas intercaladas abba-accd-deed. Para atender a outro gosto do leitor, podem ser feitos em estrofes bárbaras com 12 versos como seguem abaixo: 

      1 A caminho do Bem
Castro é O Poeta da Escravidão,
Casimiro é O Poeta da Saudade;
já fiz muito verso, falando em bondade.
Pergunto onde está O Poeta da Ilusão,
que o poeta vive em uma dimensão
capaz de cobrir toda a face da Terra;
"é um bom cordeiro, pulando, e não berra;
é ovelha mansa que não dá marrada";
se fosse por ele, a Vida era estrada
por onde passavam todos os comboios;
nasceriam trigos, morreriam joios,
e a casa do Bem era mais visitada.

      2 Em nome da Felicidade
É Florbela Espanca A Poetisa do Amor,/
Vinícius é O Poeta da Paixão,/
eu já fiz poema de separação./
Pergunto quem é A Poetisa da Dor./
Eu, como poeta, sou um libertador/
de quem vive preso a qualquer sofrimento;/
se fosse por mim, não havia "detento/
nas grades do amor, da paixão e da saudade";/
cortava a raiz de toda enfermidade/
e o Mundo seria hospício e paraíso/
onde o louco e a doida criavam juízo,/
e a razão de tudo era a Felicidade.

      3 Na busca da Certeza
O Poeta da Dúvida já é Azevedo,
Manoel de Barros é O da Natureza,
eu queria ser O Poeta da Certeza.
Procuro encontrar O Poeta Sem Medo,
que um poeta, às vezes, revela segredo
na hora de expor o seu ponto de vista;
ao ser vigiado, não foge da pista;
não tem proteção e vive "a céu aberto";
"o oásis anima a vida no deserto",
enquanto ele tira a tristeza da gente
que anda chorando isoladamente,
querendo um lugar protegido e mais certo.