Poemas da missão de governar

07/03/2019

Autoconhecimento: poemas, poemetos e estrofes autobiográficos

  Eu me conheço  

(epígrafe) "Conhece a ti mesmo". Sócrates.

1 Poemas da escrita

1.1 Esquecimento e recomposição

"Talvez tenha sido para eu sofrer menos/
que já esqueci muita passagem da vida";/
enfadonho fardo e amargos venenos/
e o “não” que levei de mulher pretendida./

Tentei relembrar, mas foi ação perdida.../
Então como era que eu escreveria/
um memorial ou autobiografia?/
Escrevo poema, paródia e crônica/

de história pequena, passagem lacônica/
do mundo real e do fantasioso/
que evocam e reportam um passado ditoso/
e um presente cheio de realização;/

dos filhos criados ou em formação,/
a terem um futuro de prosperidade,/
ilustrando a minha adaptabilidade/
em múltiplas formas de composição.

1.2 Missão de escritor: influenciar para o bem

Qual é a importância de um escritor?/
Não é bem ser formador de opinião.../
Mas chega a ser um influenciador/
de alguém fazer plano ou tomar decisão./

Por isso, eu reflito com preocupação —,/
fazendo meu texto e mais, ao publicá-lo,/
ainda que alguém queira vir condená-lo/
com inveja, despeito, ciúme ou desdém./

Só escrevo se for para fazer o bem/
ou me defender de ataque ou ofensa./
Não mexo com os outros nem com a sua crença,/
respeito na essência qualquer cidadão./

Cumprindo essa nobre e honrosa missão,/
só faço o que posso ou que deve ser feito /
conforme o sagrado e humano direito/
por lei, por decreto e por constituição.

1.3 Sonho de estar perto dos poetas

Não sou um poeta nem chego aos seus pés,/
no entanto procuro seguir o seu rastro./
Na imaginação, já voei de través/
com aqueles de quem eu empunho algum mastro./

Paródia e paráfrase são o meu lastro/
por onde eu caminho, imitando os famosos:/
singelos poemas, porém caprichosos/
de forma que, se eles também os lessem,/

talvez se orgulhassem... e reconhecessem/
a sua presença em alguma passagem 
onde eu retratasse com fé e coragem/
valores e ideias do seu cabedal./

Sonhei que eu também ia ser imortal/
ao lado de quem decantou sonho e glória/
de si e dos outros, guardando a memória/
no mundo, em vitória, do Bem contra o Mal.

1.4 Dialética existencial de felicidade

Não sei quantos anos terei pela frente,/
mas sei que sou feliz depois dos sessenta:/
seis décadas de vida que me afugenta,/
sorrindo e severo, dialeticamente./

Não tenho poupança, só conta-corrente,/
mas dou à família destino seguro./
Se tenho por dentro o meu "coração duro",/
"os olhos são moles", chorando por fora./

Às vezes, eu cuido em fazer já, agora,/
trabalho que pode ser feito amanhã./
Ao dia que morre, dou sempre um afã/
de noite feliz e de continuidade./

"Um par de sapatos da tranquilidade",/
eu calço e retiro na luta diária./
É essa uma rotina sexagenária/
do contraditório com felicidade.

Estrofes
Sonho de ser poeta em evidência
Quero ser um poeta que se expõe
na vitrine, no livro, na Internete.
Talvez mexa com alguém ou o afete
no assunto em que ele se sobrepõe.
Entretanto meu verso não se impõe
sobre a fama de outro bacharel.
Cada mestre tem diploma e anel,
a cadeira e o papel em que labuta.
Não se trata de rixa nem disputa:
é bom gosto que tem um menestrel.

04/03/2019

Reviramundo

Voltei ao ninho paterno
de cujo berço, saí,
revirando o mundo externo
por onde andei e corri.

No dia em que eu parti,
já fui levando saudade.
Luz, amor, fraternidade
são bênçãos desse aninhado.

Depois que eu cheguei cansado,
repousei no canto antigo.
Virei e mexi só comigo

"a bagagem familiar"
que me faz ir... e voltar
ao abençoado abrigo*.

* ou "ao meu virginal abrigo", como diria o poeta. Poemeto com 14 versos autobiográfico.
Musa inspiradora, parodiando Luiz Guimarães em Visita à casa paterna; ver jornal de poesia, Clicando Aqui.

24/02/2019

Compaixão pelo doente mal-agradecido

Senti muita pena da ingrata pessoa/
que estava doente, faminta e gemendo;/
foi como se, em mim, estivesse doendo/
a dor cruciante que aflige ou magoa./

Se fosse por mim, tinha ficado boa —/ 
sem passar mais fome, sem enfermidade;/
curava as feridas e a ansiedade/
até acabar com aquela aflição./

Ainda sabendo eu que ela não/
se chegasse a mim para agradecer-me,/
seria eu propenso a compadecer-me,/
ser bom e levar-lhe remédio, água e pão.

O texto acima é um poemeto com feição de crônica, tem 3 quartetos com versos hendecassílabos (11 sílabas métricas) e rimas intercaladas “abba-accd-deed”. Diagonais colocadas para separar os versos em espaço menor ou no texto em prosa, embora não sejam recomendadas aqui.
Musa inspiradora: foi inspirado no texto bíblico do leproso que foi curado por Jesus, mas não lhe agradeceu.