Poemas da missão de governar

04/03/2019

Reviramundo

Voltei ao ninho paterno
de cujo berço, saí,
revirando o mundo externo
por onde andei e corri.

No dia em que eu parti,
já fui levando saudade.
Luz, amor, fraternidade
são bênçãos desse aninhado.

Depois que eu cheguei cansado,
repousei no canto antigo.
Virei e mexi só comigo

"a bagagem familiar"
que me faz ir... e voltar
ao abençoado abrigo*.

* ou "ao meu virginal abrigo", como diria o poeta. Poemeto com 14 versos autobiográfico.
Musa inspiradora, parodiando Luiz Guimarães em Visita à casa paterna; ver jornal de poesia, Clicando Aqui.

24/02/2019

Compaixão pelo doente mal-agradecido

Senti muita pena da ingrata pessoa/
que estava doente, faminta e gemendo;/
foi como se, em mim, estivesse doendo/
a dor cruciante que aflige ou magoa./

Se fosse por mim, tinha ficado boa —/ 
sem passar mais fome, sem enfermidade;/
curava as feridas e a ansiedade/
até acabar com aquela aflição./

Ainda sabendo eu que ela não/
se chegasse a mim para agradecer-me,/
seria eu propenso a compadecer-me,/
ser bom e levar-lhe remédio, água e pão.

O texto acima é um poemeto com feição de crônica, tem 3 quartetos com versos hendecassílabos (11 sílabas métricas) e rimas intercaladas “abba-accd-deed”. Diagonais colocadas para separar os versos em espaço menor ou no texto em prosa, embora não sejam recomendadas aqui.
Musa inspiradora: foi inspirado no texto bíblico do leproso que foi curado por Jesus, mas não lhe agradeceu.